vulneraveis

Era uma manha qualquer de agosto, estavam todos a se divertir, conversando e dizendo coisas comuns; uma reuniao dessas de familias e amigos que se encontram por algum motivo. Mas ela nao tinha nenhum motivo para estar ali, mas estava, sabia que talvez pudesse ser bom, mesmo nao sendo; e bom ver o comportamento das pessoas, pensava ela. Nem sempre conseguimos estar presente, mas ela se esforcava, olhando e ouvindo, mas nao dizia nada, nao sabia o que dizer, nao tinha nada para contar, ela ja estava cansada das mesmas historias.

 Decidiu entao levantar-se da mesa, pensou em uma desculpa, ja que seu comportamento era estranho desde o inicio; nao que fosse preciso, afinal todos ali eram estranhos para ela tambem, mas ninguen sabia disso; todos estavam ao redor da mesa, com seus copos, ilusoes e cinzeiros cheios, risadas ao acaso, pareciam estar felizes, mas esse tipo de ritual ja nao acrescentava mais nada a ela. Com um sorriso solto, ela disse: – vou ao banheiro; a conversa estava interessante nem todos perceberam, ela aproveitou esse momento, e levantou-se meio rapido, pois ja nao suportava mais nenhum deles.

Ao entrar no banheiro, havia duas mulheres, conversavam sobre seus namorados, pareciam empolgadas e imbecilmente apaixonadas; ela logo pensou: “ja estive assim…”; as duas mocas se arrumavam perante o espelho, e comparavam seus parceiros com grande entusiasmo, tipico das competicoes do mundo feminino; ela olhava com uma cara aerea, e se perguntava: -‘por que as historias se repetem?’…, afinal esse mundo feminino nunca lhe pertencera;

as duas mocas sairam do banheiro de modo efusivo e ela continuou ali parada diante do espelho, na verdade nao sabia o motivo que a trouxera ali, nao havia nenhum em especial, somente as mesmas queixas de sempre, como solidao e tedio. Mas percebera que mesmo estando ali, nada disso havia mudado, e nao havia menor sentido ela voltar naquela mesa, nao havia mais paciencia pra tanta conversa furada; retocou entao a maquiagem, e decidiu ir embora; saiu do banheiro, passou longe da mesa e foi embora, ninguen haveria de lembrar disso, a bebida logo faria eles esquecerem; que se dane!!! nao preciso deles. _ pensou ela de modo sarcastico.

Pegou seu carro, dirigiu horas, sem rumo, olhando tudo na rua, detalhado e devagar… nada tirava da cabeca dela, que poderia ser diferente, que alguen podia estar com ela e  que, assim tudo estaria melhor; ela podia ter quem quisesse, mas quem ela queria estava muito longe, tao inacessivel, que talvez nao houvesse ninguen mesmo, pudesse ser so ilusao.

 Ela nao queria voltar pra casa naquela noite fria, e ter que enfrentar aquela cama enorme e vazia, ja estava cansada de nao dormir bem; de estar sempre tao sozinha, e de nao conseguir escutar o que as pessoas lhe dizem; com ele, era diferente, ele parecia entender, com ele parecia que podia ser finalmente bom…

mas porque surge alguen que ela nao pode alcancar?, porque ela pode ver e nao pode tocar? porque ela tem que enfrentar tudo sozinha? na verdade, ali naquele lugar, enquanto via as pessoas passarem pela janela, ela so pensava em poder abracar-lo e sentir seu cheiro de perto, nao precisava dizer nada, ao adormecer em seu peito, seu coracao lhe diria tudo…

Ao pensar nisso seus olhos encheram de lagrimas, nao era mais a solidao que lhe causava da dor, era a angustia de pensar que talvez nao voltasse a amar de novo, nisso seu coracao bateu rapido, e a sensacao de vida deu lugar a ansiedade, tudo parecia perdido, mas se sentir viva, fez com que ela sorrisse novamente…

“_Dias bons, dias ruins e melhor descansar, amanha tem muito mais…”-_ exaltou ela a si mesmo, fazendo o retorno para casa, talvez a cama nao lhe paracesse mais  tao enorme! na verdade ela sempre precisou de mais espaco…

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~ por Ana Paula Garcia em agosto 10, 2008.

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